Le Daily de la présidentielle – O dia do Fico de François Fillon

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François Fillon, convocado a comparecer no dia 15 de Março face à justiça, “em vista” de um indiciamento, proclamou: diga ao povo que fico! E no entanto, poucos dias após à eclosão deste escândalo em torno dos empregos suspeitos fictícios da esposa do candidato da direita conservadora francesa, o deputado Les Républicains (LR) prometera abandonar a disputa presidencial caso o judiciário o enviasse ao banco dos réus em um processo penal. Retorno à mais um dia de turbulências na campanha pelo Élysée:

Hoje pela manhã, então, a “França que acorda cedo”, ao ligar o radio descobre que François Fillon não comparecera, como previsto, ao Salão Internacional da Agricultura de Paris. Choque, surpresa, estupefação. Sobre-tudo porque as razões desta anulação são desconhecidas até mesmo dos mais próximos tenentes de Fillon.

O deputado Jérôme Chartier, por exemplo, em entrevista ao principal programa de radio matinal da França, não excluíra, por desconhecimento, nenhuma hipótese sobre os motivos pro trás desta modificação inopinada da agenda do candidato.

No decorrer da manhã, a comunicação do candidato convocou uma coletiva para o meio dia.  Paralelamente, os boatos de renúncia, entre outros, germinavam  em  terreno fértil, previamente adubado por uma campanha subitamente muda, um François Fillon em aparente estado de sítio e em conclave com os principais caciques do partido e por uma candidatura há mais de um mês na mira da justiça.

Todos estes elementos alimentavam um clima de crescente suspense em torno do futuro da candidatura do vencedor das primarias da direita e do centro.

Entre o anuncio da anulação da visita de Fillon ao Salão da Agricultura – um evento que faz parte da liturgia da campanha presidencial francesa – e a coletiva convocada pela assessoria da campanha, um elemento veio reforçar a tese da possível da desistência. Francois Fillon teria sido convocado, para o dia 15 de março, à comparecer ao gabinete dos juízes que investigam as suspeitas em torno da veracidade do trabalho realizado pela esposa e pelos filhos do deputado, “em vista” de um indiciamento como réu em um processo por desvio de fundos públicos e de receptação de desvio de fundo públicos.

A data é fatídica. Isto porque , se a justiça realmente decide enviar o cidadão François Fillon ao banco dos réus, a direita teria dificuldades de encontrar um novo candidato; visto que o período de inscrição das candidaturas à presidência se encerra no dia 17 de março. E é claro que a promessa do candidato de abandonar a disputa caso ele se encontrasse nesta exata condição, como dissera Jérôme Chartier, não excluía nenhuma hipótese.

No entanto, meio dia passado, François Fillon soou assim:

“Eu não fui tratado como um cidadão comum, o Estado de direito foi sistematicamente violado”

” Je n’ai pas été traité comme un justiciable comme les autres, l’Etat de droit a été systématiquement violé “

O deputado denuncio um ” assassinato político”

“Não é somente à mim que assassinam, é a eleição presidencial. É a democracia que desafiam.”

Le député parle d’un ” assassinat politique “.

” Ce n’est pas moi seulement qu’on assassine, c’est l’élection présidentielle. C’est la démocratie qui est défiée ”

 

 

Fillon disse que fica e que do seu posto ninguém o tira. Mesmo se a palavra empenhada em cadeia nacional de televisão voltara como um bumerangue contra o deputado.

É bem verdade que, desde então, o horizonte judicial do chefe dos Republicanos se tornou  sombrio. E que o ex-primeiro ministro de Nicolas Sarkosy já operava uma manobra gradual de “deslize” retórico em direção de uma nova narrativa cujo desfecho político de um possível indiciamento poderia ser menos categórico.

Nesta nova versão da defesa fillonista, a justiça, muito célere, é a vilã. François Fillon é um homem perseguido por juízes à serviço do sistema. E posto que o judiciário se tornara um instrumento de um complô urdido, em verdade, contra o povo, Fillon reserva ao povo o papel de magistrado supremo do caso que o concerne. Tradução: Mesmo réu, e à despeito da palavra empenhada, e para o bem de todos e felicidade geral do eleitor de direita, ele continuara candidato e o voto lavara a honra atacada pelos agentes sistema.

Alguns minutos mais tarde, Emmanuel Macron, rebateu o ex-premier. “A eleição não deve ser vista como uma absolvição”, fulminou o novo favorito à vitoria final.

E era isso pessoal. Circulando! 

François Fillon, surpreendendo novamente, decide de retomar a agenda do dia e ir ao encontro da França rural em exposição no salão da agricultura.

A mensagem é clara: Tudo continua como antes e a campanha retoma seu curso.

No entanto, e apesar do fato que nenhuma das grandes lideranças do partido se apressa à mostrar a porta ao candidato debilitado pelos escândalos, as primeiras defecções surgem no inicio da tarde.

O primeiro foi Bruno Lemaire, deputado e ex-ministro da Agricultura sob François Fillon anúncio, no inicio da tarde, que ele abandonava a campanha da direita. De acordo com o ex-candidato derrotado durante as primarias da direita e do centro Fillon “não cumpriu a palavra empenhada” em se mantendo na disputa presidencial e que nesta situação ele não poderia mais desempenhar as funções de assessor à Fillon.

Outros deputados ligados à Bruno Lemaire tomaram o caminho do vestiário à exemplo do ex-ministro.

E a debandada continuara ao longo da tarde e noite. Golpe duro, a centrista União Democrática Independente (UDI) decide de suspender o apoio à candidatura Fillon. O futuro da aliança presidencial e parlamentar entre o LR e a UDI é incerto. a resposta vira em uma semana, prometem os lideres do movimento.

Deputados e políticos, de capelas diversas e à conta gotas, clamam pela renúncia de François Fillon e pela escolha de um novo candidato.

Plano B

Desde de o começo do problemas jurídicos do clã Fillon a ideia de substituir o candidato enfraquecido pela multiplicação de suspeitas de trabalho fantasma de familiares do ex-primeiro ministro fora aventado. Problema: A luta de correntes no seio do partido de direita impediria a escolha de um nome de substituição que conviesse à gregos e baianos.

Por gregos e baianos entenda-se juppeistas e sarkosistas. Os correligionários de cada um dos dois lideres derrotados por François Fillon, Nicolas Sarkosy e Alain Juppé, não desejam que um nome saįdo das trincheiras adversas ascenda à candidatura em detrimento do outro campo. Os mais fieis apoios de Fillon também mantém relações difíceis com o clã sarkosista. O que dificultaria a tarefa, dos fillonistas, de abençoar qualquer outro nome sugerido.

Em resumo, o método de eleições primarias para a escolha de um candidato de direita e do centro, em primeiro lugar, foi aceito por todo os interessados como sendo o único capaz de evitar uma guerra fratricida com conseqüências incalculáveis. A falta de um líder com autoridade suficiente para criar um consenso em torno de um nome era patente. As primarias de 2016, um sucesso popular que atraiu mais de 4 milhões de eleitores de direita e do centro, permitiu as forças da centro-direita francesa de contar com um candidato legítimo e inconteste ainda que não consensual ideologicamente.

Mesmo se a suspeita de emprego fantasma de Penelope Fillon, independentemente do desfecho judicial, deteriorava de forma fundamental a imagem de moralidade e de austeridade do deputado, François Fillon se impôs como candidato. Apesar de tudo, ele ainda aparece como o único denominador comum entre as diversas correntes desta família Política.

Inobstante a nova pancada sofrida, o ex-primeiro ministro ainda é a única hipótese de trabalho plausível neste momento.

Enquanto isso

Todos os homens de Marine Le Pen, que reagiram à atualidade do dia, concordam com François Fillon. A justiça é madrasta e persegue certos candidatos mas poupa outros. uma opinião que não se baseaia em nenhuma evidência firme apresentada pelo partido de extrema direita mas que conhece um grande sucesso entro o militantes deste movimento populista.

Isso porque, Marine Le Pen, cujo o partido é suspeito de cometer crimes similares aos supostamente cometidos por Fillon e Penelope,  como o adversário de direita, também se vê vigiada por juízes que se interessam à ela e a seus arranjos financeiros.

Evidencia desde mal estar: Dois assistentes da deputada européia foram indiciados por  desvio de função pelo Ministério Publico Financeiro Nacional na semana passada.

Marine Le Pen, convocada pela justiça à participar de uma oitiva na condição de testemunha se nega a comparecer, se escudando atrás da imunidade parlamentar e alegando que, como Fillon, a existência de uma caça as bruxas lançada contra ela com o objetivo de privar o povo de uma candidata realmente patriota justificaria esta postura de desafio à autoridade judiciaria do país que ela pretende dirigir.

Em contraste, mesmo após a virulenta carga dirigida à justiça e aos magistrados que o investigam, François Fillon afirma que ele conta comparecer à audição para a qual ele fora convocado. Ele acredita que poderá se salvar do indiciamento fazendo com que os juízes de seu processo vejam a ” (sua) verdade que, que é a única verdade”.

Macron

Emmanuel Macron, que beneficia de uma nova dinâmica após o anúncio da aliança entre o candidato do movimento “Avante!” e o prefeito de Pau Francois Bayrou, visitou o Salão da Agricultura em quanto Fillon geria a crise existencial acossava sua candidatura pela durante a manhã.

Perguntado pela imprensa sobre o novo desdobramento juridico/político da campanha o ex-ministro da economia foi implacável.

Ne donnons pas au vote démocratique le rôle de l’absolution, ce n’est pas le sien. Si François Fillon ou Marine Le Pen proposent une trêve judiciaire, je comprends qu’ils la proposent aux délinquants, aux criminels car on ne saurait la réserver aux délinquants en col blanc ou à la classe politique. Pour ma part je n’y suis pas favorable. Je suis pour la tolérance zéro, mais pour tout le monde”

Macron, é, a cada dia, mais favorito desta eleição eletrizante. Firme na segunda colocação ele já ameaça a pole position de Marine Le Pen na maior parte das pesquisas de opinião.

O dia de amanhã, e apesar da crise em torno da candidatura Fillon que deve continuar a alimentar as manchetes, e visto como o Dia de Emmanuel Macron. O líder do movimento centrista deve revelar à imprensa e ao eleitorado o programa de governo que ele vai defender durante o restante da campanha. Frequentemente criticado por jornalistas e adversários pela ausência de propostas concretas, esta plataforma, em elaboração por meses, tem como principal objetivo o de calar as vozes que afirmam que o ex-ministro seria um produto de marketing a serviço do famoso “sistema”.

Com um programa na mão, Macron terá que mostrar que esta preparado para defendê-lo dos ataques que não tardarão.

 

 

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