Le Daily de la présidentielle – Fillon, combativo mas cada vez mais solitário, Juppé e o plano B

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  • Mais de cem dirigentes políticos, de direita e do centro, desertaram à campanha de François Fillon
  • Thierry Solère, ex-comissário das primarias da direita de 2016, abandona o posto de porta-voz do candidato LR 
  • Marine Le Pen, agora intimada pela justiça, é visada por criação de emprego fictício. Ela risca o indiciamento 
  • A União Democrática Independente (UDI) retira apoio à François Fillon
  • Le Monde – Nicolas Sarkozy não deseja ser visto como o algoz da candidatura François Fillon, mas, confrontado à persistência de seu “ex-colaborador” o ex-chefe do Estado teria dito ao candidato: “isso não pode continuar assim”. Ele reiterou  que o partido Les Républicains (LR) corre o risco de explodir.  
  • François Fillon conclama os eleitores LR e UDI à “fazer ouvir a voz do povo”, em manifestação no domingo contra àqueles “que querem roubar à vitoria” à direita e ao centro
  • Se Juppé for candidato, “Eu não mudo de posição” quanto ao apoio a Macron, assegura Bayrou

Há 48 horas, as fraturas abertas pelo escândalo Penelope ameaçam de fazer ruir os pilares da campanha de François Fillon. O candidato pode estar vivendo as últimas horas de uma carreira política de mais de 40 anos. Apesar do teatral anúncio feito pelo deputado de paris, dando conta da sua convocação pela justiça em vista de um possível indiciamento, a candidatura do ex-primeiro ministro se vê abandonada por um número expressivo de lideres de direita.

As defecções, principalmente, têm origem entre os próximos dos grandes caciques derrotados por Fillon durante as primárias do ano passado. O primeiro à deixar o gramado foi o deputado LR e um dos derrotados das prévias Bruno Lemaire. Um golpe duro que inspirou outros à tomar a direção do vestiário. No final da tarde de sexta-freira a lista contava com mais de cem Silvérios ligados à Lemaire bem como ao ex-presidente Nicolas Sarkosy, ao prefeito de Bordeaux e segundo colocado da disputa primária ou do prefeito de Meaux François Copé.

Nesta sexta-feira (3 de Março), ante-véspera da manifestação de apoio ao candidato LR convocada – às pressas – pelo comitê parisiense, as perdas sofridas pela campanha fillonistas, longe de serem irrelevantes, vagam cargos indispensáveis para a mêcanica de qualquer dispositivo eleitoral com ambições à uma vitória final.

Ontem, o mais juppeista entre os juppeistas, Gilles Boyer, entregou seu cargo à campanha. Boyer era o tesoureiro.

Pela manhã de ontem (quinta-feira) ainda havia sido à vez do deputado Sébastien Lecornu, próximo de Bruno Lemaire. Lecornu ocupava a posição de vice-diretor geral da campanha.

Hoje (sexta-feira), de um simbolismo indiscutível, Thierry Solère, escolhido de Nicolas Sarkosy para organizar as primárias da direita e do centro, e que, desde o anúncio final que viu Fillon triunfar, aceitou a missão de porta-voz da campanha, em um tweet lacônico, disse que não representaria mais o candidato.

Sem porta-voz, tesoureiro entre outros responsáveis pela gestão de tantas outras função essências que também apresentaram pedidos de demissão (o portal do cotidiano Libération mantém um placar. No final da tarde de sexta-feira os desertores eram mais de cem), François Fillon informava a imprensa que cercava o QG de campanha que ele e  fillonistas indefectíveis se ocupavam do comício de apoio à candidatura de domingo na praça do Trocadéro.

A determinação do candidato LR contrasta com o estado de ebulição da direita francesa. Ao mesmo tempo que Fillon se ocupava da manifestação de desagravo, o partido avançava em ordem dispersa e movido pelo pânico. A certeza da derrota se impôs como uma evidência entre os eleitos e lideranças do LR. À exemplo do deputado Franck Riester, que avalizou a candidatura putativa de Alain Juppé, outros se articulam, nos bastidores, pela candidatura do prefeito de Bordeaux como alternativa ao atual cabeça de chapa.

O vespertino Le Monde explicou assim:

…Interrogé par Le Monde en marge de son déplacement à Nîmes, François Fillon a balayé cette vague de défections. ” Les élus ? Bah, on fera sans eux ! “, a-t-il lancé. Des propos jusqu’au-boutistes d’un homme prêt à se passer de sa propre famille politique : ” La base, elle tient. Les électeurs de droite tiennent. C’est une élection présidentielle… “

…Reste que la question de son remplacement est toujours épineuse. François Fillon ne veut pas se ” débrancher ” lui-même et Alain Juppé ne souhaite pas repartir en campagne, sans être adoubé par le candidat issu de la primaire. Une impasse. Du moins en apparence. Car le maire de Bordeaux a en fait donné son accord à ses lieutenants et observe attentivement comment les choses évoluent. En coulisses, énervé par la tonalité de plus en plus droitière de M. Fillon, il se prépare plus activement que jamais.

” Il est conscient du rôle qu’il peut avoir à jouer “, euphémise un député qui l’a eu au téléphone. Ses soutiens s’activent pour trouver la bonne fenêtre de tir. L’idée est d’abord de réduire le fillonisme à un dernier carré. ” Il faut que tout le monde sorte de la campagne et qu’il se retrouve isolé “, glisse un juppéiste.

Estes três parágrafo resumem a situação e explicam as deserções em cadeia:

François Fillon não pode ser, legalmente, forçado à jogar a toalha. E ele parece determinado afrontar os dirigentes e à opor os apelo à renúncia oriundos da caciquia LR aos clamores vindo do povo.

Alain Juppé se sentiu repelido pelo eleitorado de direita quando da derrota acachapante que sofreu face à François Fillon durante as prévias. Ele, há um mês quando eclodira a crise Penelope, o prefeito de Bordeaux deixou claro que ele não seria uma alternativa ao deputado de Paris. Além disso, tendo sido rejeitado sem ambiguidade, Juppé explicou à próximos que ele só aceitaria defender a direita no lugar do atual candidato se todas as capelas do partido clamassem por seu nome e que o ex-premier o nomeasse como sucessor.

Estas condições draconianas impostas por Juppé ainda estão sobre a mesa. No entanto, o número de dirigentes juppeistas que abandonam o barco fillonista é a prova de que Juppé não se opoē à que manobras preparatórias como a coleta das assinaturas de aval necessárias a validação da candidatura junto a justiça eleitoral ou o isolamento politico de Fillon.

O que explicaria a debandada Juppeista que, iniciado por Gilles Boyer na quinta-feira, se estendeu à mais de uma dezena de lideranças fiés ao ex-primeiro ministro de Jacques Chirac.

No fundo, estas manobras demonstram que só a certeza na vitória, que as primarias e as pesquisas eleitorais de 2016 diziam como certa,  passou uma de mão de pátina de união à fachada craquelê da direita Francesa. Os clãs Fillon, Sarkosy, Juppé ou mesmo de François Copé representam, antes de mais nada, três fraturas ideológicas fundamentais e históricas.

Somente o desejo de retorno ao poder aliado à pressão operada pela extrema direita e o medo de perder e liderança do eleitorado conservador que acarretaria permitiu à estas diferentes famílias de pensamento de direita de dividir a mesma sigla neste últimos 15 anos.  A defunta UMP, fundada pela vontade de Jacques Chirac em reação à classificação de Jean-Marie Le Pen ao segundo turno de 2002, era o que fora: Uma tática eleitoral que prometia o poder às direitas em troca do silêncio obsequioso das divergências de fundo, da disciplina partidária e da obediência ao chefe.

Às 19 horas de sexta-feira em Paris a justiça eleitoral publicou mais um relatório de assinaturas de aval à candidatos à eleição presidencial francês. François Fillon dispunha de 1155 “avalistas”. legalmente, o candidato oficial da direita e do centro é senhor do próprio destino.

Politicamente, o placar de abandonos à candidatura Fillon contava com mais de cem desertores, e contando…

Alain Juppé, na noite de sexta-feira, 3 de março, contava com um avalista.

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