Em manobra agressiva, Marine Le Pen atrapalha visita de Emmanuel Macron à trabalhadores ameaçados de desemprego

Nesta quarta-feira (26 de abril), Marine Le Pen do Front National, vista pelas pesquisas de opinião como o grande azarão da disputa eleitoral pela presidência da República na França, demonstrou que não pretende sucumbir sem lutar. Em um movimento inaudito, a candidata de extrema direita decidiu visitar, no mesmo dia, a mesma usina de eletrodomésticos ameaçada de fechamento na qual o candidato do movimento ” Em Marcha!”, Emmanuel Macron, era esperado pela representação sindical dos grevistas me luta pela manutenção dos postos de trabalhado em jogo.

Pouco após ao meio dia, a candidata populista desembarcou no estacionamento da usina Whirlpool de Amiens,  Ao Mesmo tempo, o candidato Macron participava de uma reunião de trabalho, na câmara do comércio da cidade, com os sindicalistas da usina que busca um novo proprietário, condição sem a qual a fabrica devera cessar suas atividade eliminando mais de duzentos e cinquenta empregos.

Le Pen justificou a ação inesperada como sendo de sua obrigação o dialogo com trabalhadores em dificuldade: – “Eu estou no meu lugar, exatamente aonde eu devo estar, no meio de assalariados que resistem à esta globalização selvagem, à este modelo econômico vergonhoso. Eu não estou comendo canapés com ditos representantes [dos trabalhadores da usina] que na verdade representam eles mesmos”, declarou a representante da extrema direita, sem explicar do porquê da data escolhida para a visita.

Je suis ici à ma place, exactement là où je dois être, au milieu des salariés de  qui résistent à cette mondialisation sauvage, à ce modèle économique honteux. Je ne suis pas en train de manger des petits fours avec quelques représentants qui en réalité ne représentent qu’eux-mêmes. – Marine Le Pen

Emmanuel Macron reagiu imediatamente ao que percebera como uma provocação da parte da adversaria extremista. ” A senhora Le Pen veio então à Amiens porque [ela sabia] que eu viria. Seja bem vinda. Mas a senhora Le Pen não compreendeu como funciona o país et e nós não temos, definitivamente, nem o mesmo projeto nem a mesma ambição.”, declarou secamente.

Mme Le Pen est donc venue à Amiens parce que j’y venais. Bienvenue à elle. Mais Mme Le Pen n’a pas compris comment fonctionnait le pays et nous n’avons définitivement pas la même ambition, ni le même projet.” – Emmanuel Macron

O ex-ministro da economia é originário da cidade de Amiens onde esta localizada a planta de produção de lavadoras elétricas da marca Whirlpool. No entanto, o favorito das pesquisas preferiu evitar a visita durante o primeiro turno. A preocupação da campanha do  líder centrista era a de não colocar o candidato na delicada situação em que se encontrou o atual presidente François Hollande, que quando candidato, em 2012, prometera à uma platéia de metalúrgicos da usina de aço Arcelor/Mittal de Florange, em uma formulação de frase ambígua, que os fornos voltariam a acender e os empregos perdidos com o fechamento da planta voltariam.

A operação de salvamento do sitio industrial se terminou em fiasco e contribuiu à impopularidade de Hollande.

Daí o receio de uma visita improvisada à usina de eletrodomésticos que corre o risco de fechar as portas se não encontrar novos proprietários até o fina do ano.

“Eu quero que todas e todos se dêem conta do que é o projeto da senhora Le Pen. Ele não resolve em nada à situação da [usina] Whirlpool, que precisa encontrar um comprador. O projeto da Senhora Le Pen [resultaria na] é a destruição de mais de mil empregos.”, afirmou Macron.

 Je veux que toutes et tous se rendent compte de ce qu’est le projet de Mme Le Pen. Il ne règle rien à la situation de Whirlpool, qui doit retrouver un repreneur. Le projet de Mme Le Pen, c’est la destruction de mille emplois  – Emmanuel Macron

A ação da líder frontista obrigou Macron à sair da reserva e ir ao encontro dos trabalhadores em Greve. O encontro se deu à tarde e a recepção reservada ao candidato de “Em Marcha!” não foi exatamente calorosa. No entanto, o ex-ministro aceitou o debate e a discussão durou cerca de 45 minutos e foi retransmitido, ao vivo, através da página Facebook. No final Emmanuel Macron prometeu, se eleito, voltar para prestar contas dos esforços para perenizar os empregos ameaçados de extinção.

“Eu não estou dizendo que eu estou salvando os empregos de vocês. Por que ninguém pode fazê-lo [prometer salvar os empregos] dignamente. Numa resposta direta à Marine Le Pen que foi categórica, face aos mesmos trabalhadores, e declarou “que Whirlpool de Amiens não fechará.” Macron continuo dizendo: “[antes de discutir a manutenção dos empregos] Há a reclassificação[profissional], o plano de salvamento de empregos,[a procura de] novos compradores, a formação[profissional], não são de palavras ao vento.

Je ne suis pas en train de vous dire que je suis en train de sauver vos emplois. Parce que personne ne peut le faire dignement”, a poursuivi le candidat d’En marche !. “Il y a le reclassement, le PSE [plan de sauvegarde de l’emploi], les repreneurs. La formation, ce n’est pas des paroles en l’air”, – Emmanuel Macron

Quanto a Marine Le Pen, não haveria razão para hesitar à fazer uso da palavra. Gabola, a candidata foi explicita: “Eu me engajo[de maneira clara].[A usina] não fechará porque eu estabelecerei um braço de ferro contra o grupo[Whirlpool] para lhes dissuadir de fechar esta planta.

Whirlpool Amiens ne fermera pas. J’en prends l’engagement ferme, a expliqué la candidate du Front national. Il ne fermera pas parce que je mènerai un bras de fer avec le groupe pour le dissuader de fermer ce site. » – Marine Le Pen. 

Além de buscar atingir os nervos do adversário, a candidata populista, privada de apoios de outros partidos, tenta se posicionar como sendo mais próxima do povo e como verdadeira defensora do trabalhador. Desta maneira, acredita Le Pen e seus tenentes, que ela poderia buscar votos da esquerda melenchonista, enredada em uma consulta interna e que não deu indicação de voto à favor de Emmanuel Macron, visto por parte da militância como extremamente liberal e anti-social.

As chances, no entanto, parecem mínimas de obter sucesso. Mesmo com a rejeição que a candidatura Macron suscita junto ao eleitorado de esquerda radical, o movimento da “France Insoumise” de Jean-Luc Mélenchon já explicou que não há a menor possibilidade de oferecer apoio à Marine Le Pen.

 

 

 

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