Todos a Paris, conclama os franceses Éric Drouet, um dos líderes designados dos Coletes Amarelos

Mesmo após reunião com ministro da Transição Ecológica os Coletes Amarelos não estão prontos para entregar as armas e terceira jornada nacional é mantida

O movimento de Gilets Jaunes – Coletes Amarelos (CAs) – continuara à manifestar contra o governo francês por tempo indeterminado, de acordo com dois dos oito “porta-vozes” recentemente “eleitos” para representar este coletivo de massa surgido “espontaneamente” na Internet. Pricillia Ludosky e Éric Drouet – dois dos inspiradores da revolta fiscal que ganhou a França – aceitaram à mão estendia, ontem (27 de Novembro), pelo chefe do Estado, Emmanuel Macron, e se reuniram à noite como o ministro da Transição Ecológica e Solidária, o ex-presidente da Assembleia Nacional François de Rugy. 

No entanto, decepcionados com o resultado das duas horas de tête-à-tête com o representante do governo dirigido pelo premier Edouard Philippe, os dois membros da delegação exigem uma nova reunião após uma próxima manifestação nacional confirmada, hoje (28 de novembro) pela tarde, para o sábado que vem em Paris na mesma avenida Champs Elysée que foi palco de caos e violência no último dia 24.  A delegação também exige do governo a queda das alíquotas de “todas as taxas” do país e a criação de uma “Assembléia Cidadã” para debater sobre o tema da transição energética. Pesquisa de opinião diz que 83% dos franceses apoiam o movimento. Um crescimento de 5 % em uma semana. 

Emannuel Macron, ontem pela manhã em Paris, como esperado, destinou parte do discurso sobre o futuro da transição energética no país para abordar os protestos contra à injustiça fiscal e o alto custo de vida que eclodiram no país através do movimento inédito e espontâneo dos Gilets Jaunes ou Coletes Amarelos (CAs). O chefe de Estado disse se preocupar “tanto com o final do mês como com o final do mundo”. Sem renunciar à futura taxa Ecológica sobre o preço dos combustíveis fosseis – estopim da revolta – , Macron anunciou que pretende que o novo imposto flutue conforme os movimentos de preço do baril de petróleo no mercado internacional. Com este anuncio, o presidente da república francesa pretende dar início à uma negociação com os CAs  com o objetivo de encontrar uma saída para a crise causada pela revolta fiscal que movimenta o país tem mais de uma semana.

O sábado passado (24 de novembro), no que foi chamado de segundo ato, do movimento, foi marcado mais pelo caos e violência gerados pelo confronto entre poucas centenas de radicais de direita e de esquerda e a polícia de choque da Capital.  Na tentativa de furar o bloqueio imposto pelo ministério do Interior limitando a zona permitida à manifestação, estes militantes violentos colocaram  a famosa avenida Champs Elysée de Paris à fogo e fúria durante todo o dia.

Apesar da grande atenção que a deflagração do conflito campal comandou, o “saco cheio” fiscal exprimido pelo manifestantes pacificamente reunidos nos dois sábados de protestos parece ter sido ouvido no interior do palácio do Elysée – sede da Presidência francesa.

Emmanuel Macron aproveitou a ocasião para lembrar que ele não “confunde os arruaceiros [do sábado passado] com os concidadãos que querem que uma mensagem seja ouvida”. Uma forma de corrigir o tiro disparado pelo ministro do Interior que pareceu assimilar todos os presentes ao conturbado protesto parisiense aos radicais de extrema direita, e de mostrar que Estado e o governo escutam com atenção o que as ruas estariam tentado dizer.

Ele também revelou que deve orientar o governo de Edouard Philippe à uma grande rodada nacional de consultação sobre a transição energética que envolva as regiões, as comunidades locais “e os Coletes Amarelos”. A idéia, conforme explicou Macron,  é preparar o modelo mais renovável de geração de energia sem penalizar as classes mais populares que são ainda prisioneiras da energia fóssil para se locomover ou para se aquecer durante os longos invernos do norte mundial.

Por fim, o chefe do Estado convidou os representantes dos Gillets Jaunes à uma reunião no Elysée com o ministro da Transição Ecológica e Solidária, François de Rugy, para “iniciar um diálogo”. O problema principal de um tal conciliábulo é de encontrar interlocutores realmente representativos de um movimento que se caracteriza justamente pela decentralização e pela rejeição de um controle vertical.

Oito “porta-vozes”

No domingo que sucedeu o caos parisiense, oito “porta-vozes” do movimento foram escolhidos. Em um comunicado, além de apresentar a nova delegação, eles colocam sobre a mesa duas reivindicações. Eles pedem que o governo reveja às alíquotas, para baixo, de “todas as taxas” além da criação de uma “Assembléia Cidadã” para debater sobre os temas da transição energética.

A dificuldade é que esta delegação  foi escolhida por consulta aberta por um dos perfis Facebook do movimento que conta com uma pletora de perfis reginais, locais e pessoais. Um método que já é contestado por outros nomes que ganharam proeminência midiática nos últimos 10 dias bem como por outros CAs anônimos que participam dos mais de 500 atos de protestos diários em todo o país.

Ainda que a legitimidade destes oito representantes recentemente “eleitos” seja frágil, ontem à noite dois deles, a micro empresária Pricilia Ludosky e o caminhoneiro Éric Drouet,  foram recebidos por Rugy no palácio do Elysée.

Ao deixar  a sede da Presidência, os dois coletes amarelos, vistos como os inspiradores do movimento, reclamam uma nova reunião, desta vez com o primeiro ministro Edouard Philippe. Drouet ainda aproveitou a presença da imprensa nacional e internacional para confirmar o chamado para uma terceira jornada nacional de protesto em Paris para o próximo sábado. Novamente, e apesar do quebra-quebra do dia 24, o encontro foi marcado para a avenida Champs Elysée.

Pela manhã de hoje (28 de novembro), em entrevista à uma tevê à cabo de jornalismo 24 horas, o premier se disse “pronto para se reunir” com os representantes dos CAs. Contudo, se exprimindo à imprensa local à tarde, Éric Drouet afastou a possibilidade de que o encontro se dê antes do próximo final de semana. Isto porque, decepcionados com os resultados dos protestos condizidos desde o dia 17 de novembro e com o primeiro contato com as autoridades do país na noite anterior, os representantes nacionais recém empossados prometem prosseguir o combate.

“Nós lhes demos nossa constatação e as reivindicações que pudemos sondar por aí. Agora, vamos deixar [o governo] trabalhar sobre o assunto. Nós não podemos ser recebidos imediatamente”, explicou o motorista de peso pesado.

A pressão deve continuar constante ainda que tenha perdido uma parte das tropas de coletes amarelos nas ruas. No sábado passado, por exemplo, o ministério do Interior recenseou cerca de 110 mil participantesnas ruas do país contra quase 300 mil no final de semana anterior. Uma queda de quase dois terços.

Da mesma forma, ao final da tarde de hoje, o Interior contou 7 mil CAs em cerca de 500 postos de bloqueio e protesto pela França. Tem uma semana, eles eram 14 mil a manifestar.

Muito embora o movimento, nas ruas, encolha, uma pesquisa de opinião encomendada pela radio France Info e pelo cotidiano de centro direita Le Figaro mostra que hoje são 83% dos franceses que apoiam os Coletes Amarelos. Na quinta passada eles eram 77%. Um ganhou marginal mas que demonstra que a popularidade resta intacta.

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