Situação caótica em Paris – novo confronto entre polícia de choque e Coletes Amarelos radicais traz violência à Cidade Luz

O movimento dos Gilets Jaunes – Coletes Amarelos (CAs), nascido contra uma nova taxa sobre os preços dos combustíveis, por uma terceira vez desde o início dos protestos, tentou caminhar em passeata pela famosa avenida Champs Elysée. Novamente impedidos pela forças da ordem, como há uma semana, a manifestação degenerou em violência campal na Capital francesa.

De acordo com os últimos números divulgados pela Prefeitura de Polícia de Paris, a jornada de protesto fez mais de 100 feridos, sendo 17 entre os policias da tropa de choque. As autoridades realizaram 287 detenções. Um carro de polícia, alias, também foi incendiada.  Convidado pelo jornal das 20h da principal rede de tevê aberta no país, o ministro do Interior, Christophe Castaner, declarou que um dos feridos se encontrava em um estado de “urgência absoluta”. Se trataria de um manifestante ferido por uma grade arrancada no jardim das Tolherias.

Este terceiro dia nacional de protestos dos Coletes Amarelos, pela segunda vez, viu diminuir o número de participantes na França. Eles foram 75 mil em todo o país – onde as passeatas foram todos pacíficas com exceção da capital. Na semana passada eles foram 116 mil e há três semana 300 mil. Em Paris, eles foram pelo menos 5 mil e 500 coletes amarelos a desfilar. Além dos militantes do movimento, o Interior estima em 2 mil os arruaceiros que se infiltraram entre os manifestantes e que foram responsáveis pelo quebra-quebra, saques e violência deste sábado chuvoso.

Barricadas, cargas polícias contra bandos violentos misturados aos manifestantes, comercio devassados, carros e prédios incinerados. Retorno à mais uma dia caótico na cidade Luz.

“Nenhuma causa justifica que as força da ordem sejam atacadas, que o comercio seja pilhado, que passantes e jornalistas sejam ameaçados ou que o Arco do Triunfo seja profanado. Os culpados destes [atos] de violência não querem melhorias (…) eles querem o caos. Eles traem as causas que eles pretendem servir e que eles manipulam.

Marcial e firme, o presidente da república francesa, Emmanuel Macron, de Buenos Aires para o encontro do G20, condenou a violência de uma um dia de manifestação que degenerou em Paris.

Mais cedo , no final da tarde, a líder da extrema esquerda francesa e deputada do Norte Marine Le Pen, evacuando a acusação de incitar os CAs ao enfrentamento físico, convidou os manifestantes à deixar as ruas.

Por volta da 20 horas – horário local – de acordo com a mídia local presente nas vizinhanças do 16° distrito da cidade luz, as ruas reganhavam a calma. Os últimos manifestantes presentes nos entornos deixavam o terreno da batalha que durou quase 12 horas seguidas.

No mesmo momento, O ministro do Interior, Christophe Castaner, se exprimia assim na tevê: “Houve uma estratégia gerida por profissionais da desordem, por profissionais da quebradeira. Ao evocar a situação no início da noite parisiense que ele estimou “mais calma”.

Imagem aérea de uma avenida adjacente à praça Étoile de Paris foto: Stéphane Mahe/Reuters

Aos Coletes Amarelos, o chefe da polícia na França disse: ” Não se deixem mais embarcar [por ativistas violentos], protejam-se, protejam os franceses, protejam nosso patrimônio. Não participem mais destes ataques de facciosos”, conclamou Castaner.

Perguntado sobre a possibilidade evocada por sindicatos de policiais de decretar o Estado de Urgência do qual a França saiu recentemente, o ministro se declarou “Sem tabus”. Contudo, “todas as medidas” de proteção serão estudas nos próximos dias, frisou o primeiro policial da França.

Até as 17h30min, 92 feridos – 14 entre os policiais – é o balanço humano parcial de mais uma jornada de grande violência em Paris em decorrência confrontação entre os manifestantes mais exaltados do movimento anti-fiscal e contra o custo de vida Gilets Jaunes – Coletes Amarelos (CAs) – e a polícia de choque presente na Capital.

Ao todo, eles foram cerca de 5 mil e 500 em Paris e 75 mil em todo o território nacional.  Houve 287 detenções entre os participantes parisienses. De acordo com o ministério do Interior, cerca de 2 mil malfeitores teriam se misturado aos Coletes Amarelos e causado a violência que marcaram esta terceira jornada nacional de protestos.

Diversos focos de incêndio de carros nos entorno da praça Étoile onde se localiza o Arco do Triunfo e um imóvel de luxo no mesmo endereço ainda queimam na cidade luz.

A refrega se concentrou nos nos entornos do famoso arco, que foi pichado com inscrições diversas, entre outras, uma que dizia: “Os Coletes Amarelos triunfarão”. Visto a dificuldade de constituir uma direção e uma pauta de reivindicações únicas é difícil de vislumbrar os contornos de uma vitória final para este movimento sui generis. 

Entretanto, se o grosso das tropas, de lado à lado, livraram combate neste bairro simbólico da Capital, no início da noite, choques entre arruaceiros e policiais se espalharam da praça da Bastilha, no lado oposto da cidade, passando pelo bairro dos Grandes Bulevares, Madaleine, bulevar Haussmann, ou ainda na avenida de l’Opera.  Focos que, por volta da 21h horas, já haviam sido contidos.

Alias, butiques e mini-mercados  nas ruas Rivoli, mas também Kleber ou ainda na Avenida de la Grande Armée – foco final dos combates entre bandos violentos e a policia de choque – foram saqueados.

supermercado localizado no bulevar Haussmann saqueado neste sábado (1° de dezembro) foto: twitter

Comparado ao sábado passado a violência escalou. O estado de espírito dos “arruaceiros” de extrema direita e do “vândalos” de todos os tipos era mais inflamado e belicoso que tem sete dias.

Escalada, também, do lado das forças de ordem. as tropas, que tinham por missão, novamente. impedir o acesso dos manifestantes à avenida Champs Elysée, eram mais numerosas – cerca de 5 mil soldados. Houve multiplicação de bombas de gaz lacrimogêneo, de tiros de bala de borracha e de artefatos explosivos.

O campo de atuação, comparado há uma semana, também foi mais amplo e, neste momento, se espalha, por uma grande adjacência. O que tentam os manifestantes mais violentos é furar o bloqueio da polícia que esta volta à carga com gaz, tiros e bombas.

Apesar do clima caótico, desde de o início da manhã de hoje (1° de dezembro), os manifestantes pacíficos – uma maioria esmagadora – não arredou pé. O desejo era claro: desobedecer o governo que continua à impedi-los de marchar sobre a mais bela avenida do mundo.

Todos os coletes amarelos com quem conversamos nesta tarde lamentam as cenas de guerrilha urbana causadas por uma minoria em ebulição. Contudo, a sentimento de desgosto e de desconfiança dos eleitos e lideranças sindicais em geral os motivou à lado à lado com a violência.

Muitos pensam viver sob uma “monarquia”. Outros acreditam o o país tenha se tornado uma “ditadura”. Todos parecem testemunhar de um déficit de escuta da parte do Estado e poucos sabem o que os atuais governantes poderiam fazer pra que a calma volte às ruas da França – e em especial de sua Capital. Estes não vêem outra saída de crise sem as destituições do presidente da república e da Assembléia Nacional seguidas uma refundação política do país.

Há ainda quem fale em uma nova “revolução” que se alinharia no horizonte “200 anos depois”. Outros vêm o germe de “maio de 68” na convulsão de hoje. Aposentados, mães de família e trabalhadores vindos de recantos longínquos da França nos falam dos finais de mês difíceis ou do medo do que virá no futuro dos filhos. As reivindicações são múltiplas, a imagem do movimento e de 80% da opinião francesa que apoia a revolta popular encarnada pelos Coletes Amarelos.

Ao entrar da noite, alguns dos habitantes do bairro chique onde mais uma batalha campal se desenrolava diante dos seus olhos atônitos, testemunhavam do apoio mas também de uma forma de incompreensão dos rumos deste movimento inédito que intriga tanto aos participantes quanto às autoridades que se vêem interpeladas por esta manifestação popular de uma amplitude poucas vezes vista nos mais de 2 mil anos de história do país.

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