“Os bombeiros de Paris salvaram Notre-Dame”, afirma o primeiro ministro Edouard Philippe em série de anúncios sobre o futuro das obras de reconstrução da catedral parisiense

Em coletiva, o primeiro ministro Edouard Philippe anunciou o lançamento de um concurso internacional com o objetivo de selecionar um novo projeto de pináculo para a catedral Notre-Dame de Paris que viu o ornamento  de madeira do século XIX consumido pelas labaredas. A generosidade de doadores, em especial entre as principais fortunas francesas, garantiram, em menos de 48 horas, cerca de 900 milhões de euros para financiar as obras de restauração.

Apesar da abundância de generosidade suscitada pelo sinistro que comoveu Paris e o mundo, o tratamento dispensado pelo Estado ao patrimônio cultural e histórico do país continuam à causar polêmica nesta quarta-feira (17 de Abril).

No entanto, o ministério da Cultura, encarregado da manutenção dos monumentos históricos, se defende de negligência no caso de Notre-Dame, em particular, mas dos demais sítios afetos à pasta. Nas páginas do site especializado Batiactu, o arquiteto chefe dos monumentos de França, Benjamin Mouton, e responsável pelas obras de manutenção e de proteção da catedral flagelada, entre os anos de 2001 e 2013, avalisa a versão do Estado e afirma que o dispositivo de segurança contra incêndios e outros sinistros “atingira o ponto  mais alto” de investimento na história da secular igreja parisiense.

Além do mais, representantes do Estado ouvidos pelo diário Le Monde lembram das iniciativas bem sucedidas da “Loteria do Patrimônio”, lançada em setembro de 2018 e que recolheu 30 milhões de Euros e que vai servir para recuperação de 18 sítios históricos que estava ameaçados sem contar com o 320 milhões anuais reservados pelo orçamento para a manutenção e reforma dos prédios de interesse patrimonial sob os cuidados da Cultura.

Ainda assim, o historiador Mathieu Lours, especialista no assunto, garante que o Estado “garante a manutenção estritamente necessária dos edifícios e intervém unicamente quando se chega à um ponto crítico”. Ouvido pela rede de web tevê do diário Le Figaro, Lours critica o dispositivo de preservação do patrimônio pilotado pelo poder público nacional “que garante a manutenção constante de 83 edifícios que pertencem ao Estado (…)  o que permite de perenizá-los (…) sem permitir reformas mais profundas em nenhuma catedral em particular”, estimou o acadêmico.

Primeiras chamas que terminaram por consumir o teto e a flecha ornamental da catedral Notre-Dame de Paris (15 de abril) foto: TW

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Hoje pela manhã, uma reunião especial do Conselho de Ministro se deu em torno do chefe do Estado Emmanuel Macron e do primeiro ministro Edouard Philippe para tratar das primeiras medidas a serem tomadas no que tange o plano de reconstrução da catedral.

Após encerramento, o premier concedeu uma coletiva e anuncio que, face ao afluxo de doações que abundam, o governo deve fazer votar, dentro em breve, uma lei para regular o recebimento, uso e exonerações fiscais relacionadas a operação de levantamento de fundo. Até hoje à noite, cerca de 900 milhões de Euros haviam sido coletados. Estes fundos e toda a quantia futura que virá à ser arrecadada, deverão ser utilizados exclusivamente para a reconstrução do prédio parcialmente destruído pelas chamas na noite desta segunda-feira (15 de Abril).

Além do mais, Phillipe informou que o pináculo ornamental consumido pelo fogo será substituído por um novo cuja confecção será objeto de um concurso internacional de arquitetura que escolhera o profissional responsável por esta parte dos trabalhos de restauro.

O general da reserva Jean-Louis Georgelin foi apresentado como o coordenador do projeto de reconstrução da catedral. Pio católico mas discreto quanto sua pratica e fé, este militar aposentado há dois anos, e sabido apaixonado por historia e política. Ele foi chefe do Estado Maior Particular do ex-presidente Jacques Chirac até 2006 quando assumiu o Estado Maior do Exército onde ficou até o ano de 2010.

* Heroísmo

“Se nós não tivéssemos intervido com rapidez as duas torres teriam desabado”, estimou o cabo-chefe do corpo de bombeiros de Paris que foi o responsável pela operação de combate ao incêndio que atingiu Notre-Dame. Segundo o militar, este foi a maior operação em que ele teve a oportunidade de intervir. “Notre-Dame é, afinal, algo particular. As pessoas nos agradecem, no oferecem presentes. Eles se sentem tocados pela nossa intervenção”, conta o soldado do fogo.

Para o primeiro ministro, de fato, a atuação dos bombeiros foi uma demonstração de heroísmo. “A historia reterá que os bombeiros de Paris salvaram Notre-Dame”, elogiou o chefe do governo.

Contudo, os representantes do Corpo de Bombeiros disseram hoje à tarde que ainda temem pela integridade do prédio que ele salvaram da destruição total. As abóbadas que formam o revestimento do teto da catedral, apesar de terem escapado praticamente intactas, foram fragilizadas. Gabriel Plus, porta-voz da instituição, explicou que a missão agora é de retirar o peso dos escombros que repousam sobre o teto e depois “remover o que estiver condenado e consolidar o que estiver fragilizado”. Uma regra geral para todas as estruturas da catedral daqui até o final da semana. A evacuação das obras de arte, informou Plus, continuam nesta quart-feira e devem também se estender até sexta-feira.

O porta-voz tranquilizou a população quanto ao risco de um novo foco de incêndio com origens nos escombros. No entanto Gabriel Plus disse que 60 bombeiros permanecem no local por precaução – em caso de um novo incidente. “O que não será o caso”, insistiu o funcionário.

Amanhã pela tarde, em frente à prefeitura de Paris, o município convida empregados mas também a população para uma homenagem aos bombeiros e os socorristas da Defesa Civil pelos esforços consentidos por estes durante a operação de salvamento e combate as chamas que colocaram a catedral emblemática em risco de desaparecimento.

De Paris, DF

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